Tosse em criança que não passa: causas e quando procurar o pediatra
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Crianças pequenas podem ter de 6 a 10 infecções por ano, a maioria viroses leves, principalmente no primeiro ano de creche. O sinal de alerta não é a quantidade de resfriados, e sim infecções graves, que exigem internação ou muitos antibióticos, ou que atrapalham o crescimento. Nesses casos, vale investigar alergia e imunidade.

"Doutora, meu filho vive doente." Muitas famílias chegam à consulta cansadas: noites mal dormidas, faltas no trabalho, uma receita atrás da outra. E com uma dúvida que pesa: será que a imunidade dele é baixa?
Na maioria das vezes, a resposta é não. Mas existem sinais que mostram quando vale investigar.
O sistema de defesa da criança amadurece aos poucos. Cada vírus novo que ela encontra é uma "aula" para o corpo. Por isso, é esperado que:
Somando os dias de cada virose e a tosse que fica depois, a sensação é de que a criança está doente o tempo todo. Mas, se ela se recupera bem entre uma e outra, cresce e se desenvolve normalmente, isso costuma ser o esperado.
As imunodeficiências são raras, mas existem e precisam ser diagnosticadas cedo. Alguns sinais de alerta:
Começo pela história: quantas infecções foram, quais, como foram tratadas e como a criança fica entre uma e outra. Olho a curva de crescimento, a carteira de vacinação e como é a rotina da casa.
Muitas vezes, o diagnóstico é rinite alérgica, asma ou adenoide aumentada, e o tratamento certo já diminui bastante as infecções. Quando a história aponta para a imunidade, peço exames de sangue específicos, como o hemograma e a dosagem de anticorpos.
Não existe vitamina ou suplemento que "aumente a imunidade" de uma criança saudável. Suplemento só faz sentido quando há falta comprovada, como de ferro ou de vitamina D.
Se a tosse é o que mais incomoda, veja também o artigo sobre tosse em criança que não passa.
Pode diminuir as infecções por um tempo, mas não costuma ser necessário. A criança vai encontrar esses vírus mais cedo ou mais tarde. Em geral, as infecções diminuem depois do primeiro ou segundo ano de creche.
O antibiótico não enfraquece a imunidade, mas usar sem necessidade aumenta a resistência das bactérias e altera a flora do intestino. A maioria das infecções da infância é viral e não precisa de antibiótico.
O pediatra começa a investigação. Tenho pós-graduação em Alergia e Imunologia e acompanho essas crianças dentro da consulta de pediatria. Quando necessário, encaminho para outros especialistas.
Conteúdo informativo escrito pela Dra. Bruna Martins, pediatra (CRM/SC 43319 · RQE 29717). Não substitui a consulta: só a avaliação da criança define o tratamento de cada caso.
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